Evolução

Evolução

No final dos anos 1990 a banda Pearl Jam lançou uma música declaratória para a época: “Do the Evolution”. A letra demonstra como evoluímos para a maldade: destruímos o meio-ambiente, roubamos em nome de causas, matamos em nome da fé.

Em outras palavras quer mencionar que o homem não pode ser o centro de tudo, mas sim, compartilhar este tudo com o ontem, o hoje e o amanhã. É no mínimo curioso que uma música possa transmitir algo profundo, todavia sua origem partiu do romance filosófico de Daniel Quinn de nome Ishmael.

Podemos caracterizar como o expoente máximo da observação de evolução centrada no homem como algo próximo do individualismo. Diferente da individualidade, onde cada um é responsável por si e por seus atos, o individualismo empurra o outro em direção oposta, não se responsabilizando por suas ações.

Desprovido de empatia o homem individualista acaba recaindo para sua vontade primaz determinada pelo conceito de home oeconumicus. Assim determina suas ações para satisfação pessoal tão somente. Utiliza-se somente da razão para “obter o máximo com o menor esforço”, estando completamente solitário nesta empreitada.

Roger Scruton em seu livro Como ser um Conservador coloca que a postura do homem como um ser social é ser partícipe da comunidade. Aquele que não está inserido na comunidade terá seu modo de vida levado pelo individualismo do homem econômico.

Diferentemente do conceito socialista ou internacionalista, comunidade não é o coletivo de massa, guiada pelo poder do Estado, que erroneamente atribuímos o nome de sociedade. Somente podemos determinar como “nós” quando levarmos em consideração as tradições, as relações humanas de afeto e apreço, e a organização das pessoas em torno de sua base.

Desse modo os progressistas esquecem das tradições passadas, ignoram as relações humanas e determinam de cima para baixo seus comandos. A massa amorfa de pessoas sem destino caminham lado a lado, mimetizando os comandos dos líderes. Resultado temos a racionalização da vida, constituindo a banalização das relações humanas, refluindo no abandono das tradições, da vida em comunidade, do respeito aos antepassados, na proteção dos nascituros, na defesa da vida.

Apesar de necessitarmos de uma economia de mercado, voltada a liberdade nas ações entre os homens, precisamos ter consciência do limite que devemos preservar. Nem tudo pode ser comercializado - como preferem os libertários. Do contrário poderíamos comercializar a fé, as amizades, o amor, e toda e qualquer ação humana.

Dessa forma precisamos tornar a vida o centro da evolução, e não o homem, pois foi a partir dela que surgimos todos nós.