Pensando como uma noz

Pensando como uma noz

Sempre quando alguém pensa se maneira equivocada dizemos que essa pessoa pensa com a cabeça de uma ervilha. Logicamente isso se deve ao tamanho da ervilha. Pequena e verde, centenas cabem dentro de uma latinha de conserva. Nem damos ao trabalho de contar quantas ervilhas cabem na latinha, medimos sua quantidade pelo peso.

Se tratando de alguém com a cabeça grande, mas vazia, mencionamos ter uma cabeça de noz. Sim, aquela noz que comemos em dias festivos e custa bem caro. Isso porque a noz é grande, mas leve. Contamos nozes por unidade, não levamos muito mais que algumas para casa, e para descobrir o conteúdo devemos quebrar sua casca de maneira grosseira, as vezes com martelo, as vezes com um quebra-nozes.

Normalmente os gestores públicos são comparados com ervilhas e nozes. Não é por menos. Dia após dia, ano após ano, cometem os mesmos equívocos que seus antecessores. Complicam tanto as coisas a ponto de a população ir para as ruas manifestar-se. Mas novamente estarão lá pedindo seu voto, isso porque deixamos as coisas caminharem neste sentido.

Qualquer administrador coerente, sensato e preocupado espera obter os melhores resultados para seus clientes. Os gestores públicos por sua vez realizam o inverso dessa métrica, complicando ainda mais a vida cotidiana do cidadão comum. Sem puxar brasa para nenhum assado, o gestor público, oriundo da política e não da administração, acredita em fatos fantasiosos e apregoa para pessoas apaixonadas. Não realiza gestão, realiza política.

Fica a cargo dos funcionários públicos desenvolver a gestão pública, mas nem sempre isso é possível. Por força da lei, ao menos no Brasil, os servidores públicos são escolhidos por meio de concursos públicos. Ou seja, basta fazer uma prova. Assim quem estudar mais leva o tão sonhado cargo público. Não importa sua profissão anterior, sua formação, sua força de vontade. Nada. Basta fazer a prova.

Normalmente quem realiza um concurso público tem como único objetivo salário e estabilidade. Ninguém espera fazer um concurso público com foco em mudar de segmento ou servir o público. Portanto, o funcionário público padrão – pois sempre existem exceções – não está preocupado com o todo, mas sim com o seu todo. Pouco interessa os problemas da população em geral, mas interessa muito os problemas do seu grupo.

Resta ao povo ficar olhando aos céus e clamando por um novo gestor público. Mas o ciclo se repete, sempre acabamos escolhendo aqueles pensadores iguais a uma noz. E por que isso acontece?